quinta-feira, 18 de março de 2010

raaaabububunhó

Todas já tivemos paixonites adolescentes.
Eu, por exemplo, era louca pelo Nick do Backstreet Boys, pelo Daniel Johns do Silverchair e pelo Brad Pitt, depois de assistir mil vezes “Entrevista com o Vampiro”. Tá que o cara da boy band era meio afetado. Na verdade, ele era fofo. Mesmo assim, era um cara normal, que usava calça jeans semi bag e tinha namoradinhas do mundo artístico. Enfim.

Daí eu tava ali, lendo o jornal, quando me aparece um piázinho que é a tal febre das menininhas. Abro a página e vejo um cidadão de 17 anos com o cabelo alisado com chapinha, o olho pintado perfeitamente de preto, a sobrancelha bem tirada e a seguinte citação:
“Olá, pessoal. Sou um cara que sempre está sorrindo e que tenta conquistar os seus objetivos sem precisar pisar em alguém ou derrubá-lo. Beijos, me liga. RAWWWWR.”

O mundo não é mais o mesmo...

sexta-feira, 12 de março de 2010

quem é você na noite?

Qual o cúmulo do esquecimento?
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A moça entra num bar, paquera um cara, dá seu telefone pra ele e, quando o cara liga pra ela, um nome aparece no visor:
-Fulano?
-Ué, como você sabia que era eu?
-Que estranho! Teu número tá marcado com teu nome no meu celular.
-Como assim?
(blablablabla)
-Cara, acho que a gente já se conhece.
-Pois é...

E foi assim que eu dei em cima de um cara com quem eu já tinha ficado.
Fim.

quarta-feira, 10 de março de 2010

amizade

Moro na mesma casa desde que nasci. Tirando uns dois anos por ali, um ano acolá, tô sempre aqui. Sempre estive.
Os vizinhos, no entanto, mudam.

Há uns dois anos a casa ao lado tornou-se uma empresa de higienização ou algo que o valha. Resumindo: uns 20 funcionários entram e saem diariamente da casa. Por aproximadamente um mês tentei fazer contato amigável. Um oi de manhã cedo, um tchauzinho na hora do almoço, um movimento no final do expediente. Nada. Nunca tive resposta. Nem da loira que vive de salto, nem do gordinho risonho. Nem do japonês magrinho. Muito menos da ruiva de óculos.
Mas a vida é cheia de reviravoltas.

Sexta-feira. 8h. Ressaca física e moral. Banho, maquiagem borrada. Turbante com a toalha no cabelo. Meu irmão grita.
-Guria, tô saindo e teu carro tá atrás do meu. Tira lá.
Tá.
Enfio o pijama de novo, do avesso, coloco a pantufa e vou me arrastando até o carro. Tiro ele da garagem e encosto do outro lado da rua enquanto o irmão procura o som. Coço o olho, encosto a cabeça no volante e escuto risadas. Olho para o lado e vejo 4 funcionários da tal empresa rindo e me apontando.

Desde então, recebo sorriso, bom dia e tchauzinhos dos meus novos amigos. Por pena, consideração ou amizade? Não sei.
Só sei que nada na vida é em vão.

Fogão

Texto da nossa amiga e colaboradora Renata Polatti:

Tem coisas que acho que só podem estar na genética. Quando eu era pequena, dizia que eu tinha uma vó que cozinhava e outra que costurava. A que costurava era a mãe da minha mãe, que por sinal também não cozinha. Sempre que a gente passava a temporada na praia, ela levava comida congelada.

Como não poderia deixar de ser, claro que eu também não sou fã da culinária. Tanto que estou há quase um ano sem fogão, sem me importar muito com isso. Afinal, tenho um microondas, uma sanduicheira, uma máquina de waffles e uma grelha elétrica, que por sinal nunca foi usada. Para falar a verdade, eu até tenho um fogão. Ele está na caixa, dentro da lavanderia, ocupando o lugar que seria da máquina de lavar, que é outra história. O problema é que quando eu o comprei, ele veio amassado e a loja não quis trocar. Agora estou brigando na justiça para conseguir o dinheiro de volta. Já tive uma audiência, mas os caras não apareceram.

Depois eu ganhei outro fogão usado, que era da minha prima. Agora esse outro fogão está na churrasqueira da casa da minha mãe. Ele estava bem sujo quando eu peguei, mas depois de uma bela limpeza, ficou utilizável. Faltava só chamar o técnico para arrumar. Só que aí, a minha vó, a que cozinha, teve uma brilhante ideia: vender esse fogão e me dar um que seja mais compatível com o meu estilo de vida. Esse aqui:

Um fogão para camping de duas bocas. Veja aqui

quarta-feira, 3 de março de 2010

comoção

Catástrofe no Chile.
Morte, desabamentos. Gente que perdeu a casa e a família.

O jornalismo está lá, cobrindo todos os momentos. Filma a criança sendo resgatada, a mãe que chora o desaparecimento do filho, a cidade em ruínas, uma planta nascendo no meio dos destroços.

Entre os entrevistados, o comunicólogo resolve buscar o depoimento de brasileiros que estão por lá e passaram por momentos de desespero.
No vídeo, um senhor de meia idade com uma camisa pólo amarela fala com uma expressão amena.
-Foi horrível. Estávamos no hotel e não sabíamos o que fazer. Aquela bagunça, sabe? Garrafas de champanhe quebradas pelo chão, uma coisa de louco.

terça-feira, 2 de março de 2010

Das dietas

Festa na firma. Docinhos, bolos, salgadinhos, uma porção de gente em volta da mesa - integração entre os departamentos, sabe como é. Gente fina que sou, desci e fiz um prato com os quitutes para os colegas - na proporção dois pra boca, um pro prato.

No segundo prato a moça do financeiro, que falava animadamente sobre dieta com uma estranha, puxa conversa:
- E você hein? Como faz pra comer tanto e ser tão magrinha?
Olhei bem pra ela. Vi o veneno escorrendo no canto da boca, os olhos vermelhos de ódio... Terminei de mastigar o meu brigadeiro e fui afável:
- Sou bulímica.

segunda-feira, 1 de março de 2010

novos amigos

Nunca gostei de academia. Magra que sou, sempre me falaram: “você tem que fazer musculação”. Quem já fez sabe o quanto ficar puxando ferro é um grande pé no saco.
A idade chegando, a celulite aparecendo e a gente começa a se preocupar. Tanto a ponto de pagar o trimestre da academia pra não faltar. Com dinheiro, afinal, não se brinca.

Hoje, lá estava eu. Olhei pra grade de atividade, ignorei a musculação e li: body combat.
Basicamente você fica pulando, chutando, socando e gritando. Pra quem fica o dia todo na frente do computador falando baixo parecia perfeito.

Antes, fui falar com o professor. Ao lado dele, três outras novas alunas.
-Porque aqui é correria, meninas. Quero ver vocês suando, suando muito. Coração indo lá pra 160. Aqui dá pra perder de 600 até 1000 calorias por aula.
E elas ali, felizes com tanto número.
Eu do lado arregalava o olho.
-E é assim. Perder peso. Muito peso. Ficar bem magra, bem gostosa.
Sorrisos, ele resolve olhar pra mim.
-E você, querida? Começando hoje?
-Pois é, moço. Mas meu problema é outro.
-Então me conte.
-Eu odeio musculação, sabe?
-Ah, eu também.
-Pois é. O grande problema é que eu já sou meio magra demais pra emagrecer mais ainda.
Nisso, as três meninas fecham a cara e vão olhando pra mim com cara de desprezo.
Fim da aula, hora do alongamento.
-Quero ver duplas, se arrumem em duplas.
Ao meu lado, as três meninas. Duas fazem um par e a outra olha pra mim. Eu faço aquela cara de “oi”. Ela me ignora, vira pra parede e começa a se alongar sozinha.

Eu, Fernanda Brun, tenho um novo objetivo, muito maior do que não emagrecer: me alongar TODA aula com essa menina.
Mando notícias.